SAC ou Price: qual sistema de financiamento escolher
SAC ou Tabela Price? Entenda a diferença entre os dois sistemas de amortização, veja como cada parcela é formada e descubra qual paga menos juros no financiamento.
Ao financiar um imóvel ou um bem de valor alto, você não escolhe apenas o banco e a taxa de juros — escolhe também o sistema de amortização, e é aí que muita gente decide no escuro. SAC e Tabela Price são as duas formas mais comuns de dividir uma dívida em parcelas, e a diferença entre elas muda quanto você paga por mês e quanto paga de juros no total. Num contrato de 30 anos, essa escolha pode representar dezenas de milhares de reais.
O que é amortização
Amortizar significa abater o valor principal da dívida — ou seja, o dinheiro que você de fato pegou emprestado, sem contar os juros. Toda parcela de um financiamento é formada por duas partes: uma fatia de amortização, que reduz o saldo devedor, e uma fatia de juros, que é o custo de continuar devendo aquele saldo. O que separa o SAC da Price é exatamente como essas duas fatias se comportam ao longo do tempo.
Como cada parcela é formada
Os juros de cada mês incidem sempre sobre o saldo devedor do período — quanto ainda falta pagar. Por isso, à medida que você amortiza e o saldo cai, a parte de juros de cada parcela tende a diminuir. A pergunta que os dois sistemas respondem de formas opostas é: quanto amortizar por mês? No SAC, a amortização é fixa; na Price, quem é fixa é a parcela inteira.
SAC: amortização constante, parcela decrescente
No Sistema de Amortização Constante (SAC), a fatia de amortização é a mesma em todas as parcelas: basta dividir o valor financiado pelo número de meses. Como o saldo devedor cai de forma uniforme, os juros — que incidem sobre esse saldo — também diminuem mês a mês. O resultado é uma parcela que começa mais alta e vai encolhendo até o fim do contrato.
Em um financiamento de R$ 300.000 em 360 meses, por exemplo, a amortização é sempre R$ 833,33. No primeiro mês somam-se os juros sobre o saldo cheio; na última parcela, o saldo já é quase zero e os juros somem. Você sente o peso no começo, mas cada mês fica um pouco mais leve.
Tabela Price: parcela fixa, amortização crescente
Na Tabela Price (também chamada de Sistema Francês de Amortização), a lógica se inverte: a parcela é fixa do início ao fim. Para manter esse valor constante, o sistema cobra muito juro e amortiza pouco no começo; com o tempo, à medida que o saldo devedor diminui, a fatia de juros encolhe e a de amortização cresce. Você paga sempre o mesmo boleto, mas nos primeiros anos quase tudo é juro e pouco vira abatimento do principal.
SAC × Price nos mesmos números
A tabela abaixo é ilustrativa e compara os dois sistemas para um financiamento de R$ 300.000 em 360 meses, a uma taxa de 0,8% ao mês. Os valores servem para mostrar o comportamento — no seu contrato real, taxa, seguros e outras tarifas alteram os números.
| Característica | SAC | Tabela Price |
|---|---|---|
| Amortização mensal | R$ 833 (constante) | Cresce mês a mês |
| Primeira parcela | R$ 3.233 | R$ 2.544 |
| Parcela no mês 180 | R$ 2.040 | R$ 2.544 |
| Última parcela | R$ 840 | R$ 2.544 |
| Total de juros pagos | ≈ R$ 433.000 | ≈ R$ 616.000 |
| Total pago | ≈ R$ 733.000 | ≈ R$ 916.000 |
Repare no padrão: o SAC começa com parcela mais salgada (R$ 3.233 contra R$ 2.544), mas termina pagando bem menos juros no total. A Price oferece a previsibilidade de uma parcela igual todo mês e um desembolso inicial menor, ao custo de juros maiores ao longo do contrato — no exemplo, quase R$ 183.000 a mais.
Para quem cada sistema faz sentido
O SAC tende a ser a melhor escolha para quem consegue absorver a parcela inicial mais alta e quer economizar no total de juros — é o sistema mais comum nos financiamentos imobiliários da Caixa. Como a dívida principal cai mais rápido, ele também protege quem pretende quitar ou vender o imóvel antes do prazo, porque o saldo devedor diminui mais depressa.
A Tabela Price faz sentido para quem precisa de uma parcela previsível e mais leve no começo — útil quando o orçamento está apertado agora, mas há expectativa de folga futura. Ela também aparece muito em crédito de curto prazo, como no financiamento de veículos e em empréstimos pessoais. Se a sua dúvida é sobre um crédito menor, vale simular na calculadora de empréstimo antes de assinar.
Amortização antecipada muda o jogo
Ao adiantar parcelas ou fazer um pagamento extra, você abate diretamente o saldo devedor e reduz os juros futuros. No pedido de amortização, a lei permite escolher entre reduzir o prazo (paga menos juros no total) ou reduzir o valor da parcela (alivia o mês a mês). Para quem busca economia máxima, reduzir o prazo quase sempre vence. Antes de decidir, teste os dois caminhos no simulador de financiamento e veja o impacto no saldo e nos juros.
Como calcular na prática
Você não precisa montar planilha nenhuma. Use o simulador de financiamento do MyCapy: informe o valor financiado, a taxa e o prazo para comparar as parcelas do SAC e da Price lado a lado, além do total de juros de cada opção. Para dívidas menores ou crédito pessoal, a calculadora de empréstimo ajuda a enxergar o custo real antes de fechar negócio.
Erros comuns
- Olhar só a primeira parcela. A Price parece mais barata no início, mas a conta do total de juros costuma ser bem maior. Compare o desembolso do contrato inteiro, não apenas o primeiro boleto.
- Ignorar seguros e tarifas. No financiamento imobiliário, seguros obrigatórios e taxa de administração entram na parcela e mudam a comparação. Simule com o custo efetivo, não só com a taxa de juros nominal.
- Não considerar a amortização antecipada. Se você pretende quitar antes, o SAC deixa o saldo devedor menor mais cedo — um detalhe que pode inclinar a decisão a favor dele.
- Confundir renda comprometida com renda disponível. A parcela inicial mais alta do SAC só vale a pena se couber no orçamento sem sufocar as outras contas do mês.
Não existe sistema universalmente melhor: o SAC economiza juros e recompensa quem aguenta um começo mais pesado; a Price entrega previsibilidade e fôlego imediato. O caminho mais seguro é simular os dois com os seus números reais, olhar tanto a parcela do primeiro mês quanto o total pago, e escolher aquele que cabe no seu orçamento hoje sem comprometer os seus planos de amanhã.